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Sala Ambiente Avaliação Escolar

Avaliação Institucional: autoavaliação


Em relação à avaliação da aprendizagem, foco discutido na Unidade 1, os estudos e debates há muito vêm ocorrendo nas escolas, embora ainda tenhamos muitos desafios a enfrentar para transformá-la em um instrumento de promoção do desenvolvimento de todos os alunos. Assim, caro(a) coordenador(a), possivelmente você já estava familiarizado com este tema ao realizar os estudos propostos neste Curso.

No entanto, avaliação institucional é tema recente, principalmente no âmbito da escola básica. No Brasil, as iniciativas de avaliação institucional começaram a ser implementadas em instituições de ensino superior, que desde os anos 1980 vêm experimentando alternativas de condução desse processo.

A avaliação institucional, abrangendo a análise da escola como um todo, nas dimensões política, pedagógica e administrativa, tem como marco o projeto pedagógico e visa subsidiar seu contínuo aprimoramento, por meio do julgamento das decisões tomadas pelo coletivo da escola, das propostas delineadas e das ações que foram conduzidas e suas condições de realização e dos resultados que vêm sendo obtidos.

A avaliação institucional pode integrar a autoavaliação e a avaliação externa.
Falamos de autoavaliação quando os integrantes da escola se encarregam da avaliação do trabalho – professores, outros profissionais da escola, alunos e pais. A autoavaliação deve levar em conta os resultados das avaliações de larga escala, também denominadas avaliação de sistema, como é o caso do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), especialmente da Prova Brasil que oferece resultados para cada escola. Esta Prova foi idealizada para produzir informações sobre o ensino oferecido por município e escola, com o objetivo de auxiliar os governantes nas decisões, assim como a comunidade escolar no estabelecimento de metas e implantação de ações pedagógicas e administrativas, visando à melhoria da qualidade do ensino. Como já foi comentado no texto de Cláudia de Oliveira Fernandes e Luiz Carlos de Freitas (2007), estudado na Unidade 1:

Essa avaliação, apesar de ser externa à escola, não necessariamente tem que ser externa à rede, ou seja, preparada fora da rede avaliada. Ela pode ser construída pelas secretarias de educação de forma a envolver as escolas e os professores no próprio processo de elaboração da avaliação, de maneira que esta seja realizada com legitimidade técnica e política.

(FERNANDES e FREITAS, 2007, p. 39)

Na Unidade 3, vamos nos dedicar à avaliação em larga escala, e discutir como seus resultados podem ser úteis para o planejamento e replanejamento do trabalho escolar.

A avaliação externa ocorre quando se busca a avaliação da escola por meio do olhar de agentes ou entidades da comunidade escolar, que analisam seu trabalho com um “olhar de fora”, como, por exemplo, associações de bairro, instituições sociais ou empregadores.

Nesta Unidade vamos dar mais atenção à autoavaliação. Parece-nos que é importante que a escola já tenha amadurecido este processo para que vivencie, com tranqüilidade, a avaliação externa.

Esperamos que os estudos a serem realizados lhes tragam elementos para:

No processo de autoavaliação, o(a) coordenador(a) pedagógico(a) tem um papel importante a desempenhar, desde a sensibilização da comunidade escolar para que aceite e se envolva na elaboração de uma proposta de avaliação, até sua implantação.


Cabe-lhe oferecer subsídios para o delineamento da metodologia a ser adotada na avaliação, ou seja, deverão ser construídas, pelo coletivo da escola, respostas a questões como:

LEITURA OBRIGATÓRIA

Para leituras básicas desta Unidade, selecionamos três textos. Estes abordam a necessária articulação entre a proposta de avaliação institucional e o projeto pedagógico da escola. Assumindo uma concepção democrática de avaliação, são destacadas características que se supõem fundamentais para uma avaliação que se coloque a serviço do aperfeiçoamento do trabalho escolar, tendo em conta a multiplicidade e diversidade de projetos educacionais e sociais que se manifestam no cotidiano escolar. São ainda discutidas dimensões que a avaliação institucional pode abranger, observando-se, no entanto, que não existe o melhor caminho ou o modelo desejável de avaliação. A qualidade da proposta avaliativa deve ser apreciada em relação direta com as características e projeto de cada escola.
Segue-se informação sucinta sobre cada um dos textos.

SOUSA, S. M. Zakia..L.  Avaliação Institucional: elementos para discussão. In: LUCE, M. B. e MEDEIROS, I. L. P. (Org.). Gestão Escolar Democrática: concepções e vivências. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006, p.135-142 (acesso livre TV ESCOLA - Salto para o Futuro).

O texto trata do processo de avaliação institucional como um instrumento de gestão do projeto pedagógico. Concebendo a avaliação como um processo de busca de compreensão da realidade e do trabalho escolar e de promoção de sua qualidade, explora suas finalidades, destacando-se características que induzem a vivência da avaliação em uma perspectiva democrática. A questão-chave é como tirar partido da avaliação de todos e de todo o trabalho da escola para aprimoramento das propostas e ações, no sentido da qualidade educacional e da vivência democrática?

THURLER, M se Mede:. G. A Eficácia nas Escolas não se mede: ela se constrói, negocia-se, pratica-se e se vive. In: Sistemas de Avaliação Educacional. São Paulo:  FDE, Diretoria de Projetos Especiais, 1998, p. 175-190.

A partir de um breve histórico sobre a questão da eficácia, a autora menciona resultados de estudos sobre escolas eficazes realizados nos anos 1980. Destaca ser a autoavaliação um processo essencial para a eficácia escolar, pois ninguém melhor do que os próprios envolvidos para dizer o que precisa ser mudado e como isto pode ser feito. Para que esta autonomia na avaliação seja possível, como nos diz a autora, são necessários quatro tipos de procedimentos: o diagnóstico; a coleta de dados; o desenvolvimento de ações coordenadas; e a supervisão. Apresenta o que denomina “modelo das cinco zonas”, apresentando um levantamento dos diversos aspectos da organização e da dinâmica interna da escola que devem ser levados em conta em um procedimento de autoavaliação ou de avaliação negociada.

UNICEF, PNUD, INEP-MEC (Coord.). Indicadores da qualidade na educação. São Paulo: Ação Educativa, 2004.

Visando ilustrar um caminho possível para condução da avaliação institucional, indicamos o estudo da proposta intitulada “Indicadores de Qualidade na Educação”. Este material foi desenvolvido pelo Ministério da Educação/Inep, UNICEF, Pnud e Ação Educativa, com o propósito de ajudar a comunidade escolar na avaliação e na melhoria da qualidade da escola.

Esta proposta de avaliação sugere sete dimensões a serem consideradas pela escola, que expressam a visão e seus elaboradores sobre qualidade do trabalho escolar. Estas dimensões foram traduzidas em indicadores, que sinalizam de um modo observável a noção de qualidade assumida. Ou seja, um indicador é uma representação observável de um conceito ou noção abstrata.


A partir das dimensões e indicadores, a proposta indica questões que merecem ser respondidas para que se construa uma análise da qualidade do trabalho em realização pela escola.

Para uma visão geral das dimensões e indicadores sugeridos no documento, estes são a seguir listados:

DIMENSÕES

INDICADORES

Ambiente educativo

Amizade e solidariedade
Alegria
Respeito ao outro
Combate à discriminação
Disciplina e tratamento adequado aos conflitos que ocorrem no dia a dia da escola
Respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes             

Prática pedagógica e avaliação

Projeto político pedagógico definido e conhecido por todos
Planejamento
Contextualização
Prática pedagógica inclusiva
Formas variadas e transparentes de avaliação dos alunos
Monitoramento da prática pedagógica e da aprendizagem dos alunos

Ensino e aprendizagem da leitura e da escrita

Orientações para a alfabetização inicial implementadas
Existência de práticas alfabetizadoras na escola
Atenção ao processo de alfabetização de cada criança
Ampliação das capacidades de leitura e escrita dos alunos ao longo do ensino fundamental
Acesso e bom aproveitamento da biblioteca ou sala de leitura, dos equipamentos de informática e da internet
Existência de ações integradas entre a escola e toda a rede de ensino com o objetivo de favorecer a aprendizagem da leitura e da escrita

Gestão escolar democrática

Informação democratizada
Conselhos escolares atuantes
Participação efetiva de estudantes, pais, mães e comunidade em geral
Acesso, compreensão e uso dos indicadores oficiais de avaliação da escola e das redes de ensino
Participação em programas de repasse de recursos financeiros

Formação e condições de trabalho dos profissionais da escola

Suficiência e estabilidade da equipe escolar
Assiduidade da equipe escolar

Ambiente físico escolar

Suficiência do número de instalações, equipamentos e recursos, sua qualidade e uso.

Acesso e permanência dos alunos na escola

Atenção especial aos alunos que faltam
Preocupação com o abandono e a evasão
Atenção especial aos alunos com alguma defasagem de aprendizagem


O texto “Indicadores de Qualidade na Educação” apresenta uma proposta que está direcionada para o ensino fundamental e, portanto, não contempla indicadores e questões relativas às especificidades da educação infantil e ao ensino médio. Há, no entanto, uma proposta direcionada para a educação infantil, intitulada “Indicadores da Qualidade na Educação Infantil”, de 2009, que foi elaborada em parceria pelo o MEC, a Unicef, a Ação Educativa, a Fundação Orsa e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). Para acessá-la consulte um dos sítios das instituições coordenadoras do projeto (www.mec.gov.br; www.acaoeducativa.org.br; www.fundacaoorsa.org.br; www.unicef.org.br; www.undime.org.br).


Esta proposta apresenta subsídios para a autoavaliação escolar, sugerindo critérios para análise do trabalho em realização em creches e pré-escolas. São propostas sete dimensões de qualidade para análise: planejamento institucional, multiplicidade de experiências e linguagens (formas de a criança conhecer e experimentar o mundo e se expressar); interações (espaço coletivo de convivência e respeito); promoção da saúde; espaços, materiais e mobiliários; formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais; cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social.

Lembre-se: Não existe “a melhor maneira” de conduzir a avaliação institucional. Como diz Sousa (2006), no texto que você irá consultar nesta Unidade, “não é possível pensarmos em um modelo único de avaliação que atenda a todas as escolas, pois, para que este ganhe significado institucional, precisa responder ao projeto educacional e social em curso”. Portanto, cada escola ou rede de ensino irá construir a sua proposta de avaliação.


VÍDEO

Avaliação Institucional: para controlar ou para democratizar? 
Este é o título de um dos programas da Série Salto para o Futuro que tratou do tema Gestão da Escola. É apresentado da seguinte forma:
Neste programa, trataremos do processo de avaliação institucional como um instrumento de gestão do projeto pedagógico. O que é avaliação institucional? Para que serve? Em que níveis se realiza? A questão-chave é a diferença entre avaliação para controle e avaliação transformadora da ação ou emancipadora dos sujeitos. Como tirar partido da avaliação de todos e de todo o trabalho da escola para aprimorá-la, no sentido da qualidade educacional e da vivência democrática?

Esses e outros vídeos podem ser acessados diretamente no site: http://www.dominiopublico.gov.br.


LEITURA COMPLEMENTAR

APPLE, M.l. e BEANE, J. (Org.). Escolas Democráticas. São Paulo: Cortez, 1997.
FERNANDES, Maria Estrela Araújo. Avaliação institucional da escola e do sistema educacional: base teórica e construção do projeto. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001.

FREITAS, Luiz Carlos. Qualidade negociada: avaliação e contra-regulação na escola pública. Educação & Sociedade, Campinas, v.26, n. 92, p.911-933, out.2005.
GATTI, Bernardete Angelina. Avaliação institucional: processo descritivo, analítico ou reflexivo? Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, v.17, n. 34,p. 7-14, maio/ago. 2006.





ATIVIDADE 6 - OBRIGATÓRIA

Após a leitura dos textos “Avaliação Institucional: elementos para discussão” e “A Eficácia nas Escolas não se mede: ela se constrói, negocia-se, pratica-se e se vive”, disponíveis na Biblioteca, responda as questões abaixo:

[Clique aqui para baixar o arquivo]

Envie as respostas para a Base de Dados “Atividade 6”





ATIVIDADE 7 - OBRIGATÓRIA

Com os estudos desenvolvidos acerca da "Avaliação Institucional: Autoavaliação", Responda as questões abaixo a partir de sua experiência profissional na escola em que trabalha atualmente.

  • Na escola em que você atua como coordenador(a), já se vivencia um processo de avaliação institucional?
    (  ) Sim   (   ) Não
Se sim, registre como vem se desenvolvendo a avaliação na/da escola em que você atua. Relate, de modo sucinto, como vem sendo conduzida e comente: eventuais contribuições que a avaliação vem propiciando para a melhoria do trabalho escolar, dificuldades em sua implementação e como vem sendo sua atuação, como coordenador(a), neste processo.

Se não, em sua opinião, quais os motivos da não implementação da avaliação institucional? Você vê possibilidade de que a escola venha a se interessar por implantar a avaliação institucional? Que condições seriam necessárias?


Depois de você elaborar sua resposta, escolha um aspecto que você mencionou que gostaria de colocar para discussão com seus colegas de curso. Pode ser uma dúvida, pode ser uma “boa idéia”, pode ser uma dificuldade que você vem enfrentando.

Em seguida registre no Fórum “Atividade 7”, tópico “Avaliação Institucional: Autoavaliação”





ATIVIDADE 8 - OBRIGATÓRIA

Leia o que foi registrado por seus colegas no Fórum “Atividade 7”, tópico “Avaliação Institucional: Autoavaliação”, elabore um pequeno texto comentando o conjunto das manifestações registradas pela turma. Procure levar em conta tanto os depoimentos de coordenadores(as) que já vivenciam a auto-avaliação institucional, quanto dos que não vivenciam tal processo. Para isso, leve em consideração os conhecimentos que você acumulou por meio de sua experiência profissional e as contribuições que os autores estudados procuraram trazer sobre auto-avaliação institucional.

Envie seu texto  para a Base de Dados “Atividade 8”





ATIVIDADE 9 - OBRIGATÓRIA

Com base na leitura do texto  “Indicadores da qualidade na educação”, disponível na Biblioteca,  construa um esboço de uma proposta de auto-avaliação a ser implantada na escola.

Registre sua proposta no Fórum “Atividade 9”, tópico “Esboço de Proposta de Autoavaliação Institucional”.





ATIVIDADE 10 - OBRIGATÓRIA

Entre no Fórum “Atividade 9”, tópico “Esboço de Proposta de Autoavaliação Institucional”, leia e analise o que foi postado. Registre suas contribuições às propostas elaboradas por seus colegas. Também, registre no que as propostas dos colegas contribuíram para aprimorar o esboço que você elaborou.

Envie seu texto  para a Base de Dados “Atividade 10”


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